sábado, 4 de outubro de 2008

SAÚDE: CORPORATIVISMO OU NÃO?

Em conversa com um ilustre e responsável cidadão deste concelho, um amigo com cerca de 55 anos e utente do Centro de Saúde de Rebordosa, este dizia-me: eu não tenho médico de família.
Tal como este cidadão, centenas ou milhares de outros cidadãos deste Concelho não têm médico de família, seja os que dependem dos Centros de Saúde de Rebordosa ou de Paredes, ou ainda os que são abrangidos pelas respectivas Extensões de Saúde: Lordelo, Cristelo, Gandra, Baltar e Sobreira.
A razão invocada para este facto, é, basicamente, a falta de médicos. Melhor dizendo, não há médicos disponíveis para prestarem serviço no Concelho de Paredes. Ao que dizem por aí, o nosso Concelho carece de pelo menos mais 15 profissionais de saúde para suprir as necessidades.
Por outro lado, porque razão o novo Centro de Saúde de Rebordosa não ata nem desata? Ao que sei as obras estão paradas há muitos meses e o actual Centro não tem as condições necessárias para prestar um serviço digno às populações.
Os utentes sabem o que passam diariamente nestes locais, com filas intermináveis de pessoas que precisam de olhar pela sua saúde, que têm de se levantar de madrugada para conseguir uma vaga para ser atendido (e ainda bem vai, se a conseguem), isto porque até para se marcarem consultas têm de esperar por vezes, mais de 1 mês.
Este cenário que se passa em Paredes é idêntico em parte do País, digo parte, porque no restante a situação ainda é pior. Sabemos todos nós o que se passa nas regiões interiores do País, onde pura e simplesmente não existem médicos.
Nesta matéria, a notícia do dia em que escrevo este artigo, era de que já trabalhavam em Portugal mais de 4200 profissionais de saúde estrangeiros. E mais, que o respectivo Ministério estava em negociações no sentido der recrutar mais uns quantos (milhares?) na América Latina. Como é isto possível?
Então, não é este o mesmo Ministério que não aprova novos cursos de medicina às Universidades Portuguesas (Como é o caso da CESPU, Universidade sedeada em Gandra - Paredes)? Que não abre mais vagas para formar mais médicos? Que exige médias aproximadas de 19 para entrar em medicina? Quem nos garante que um aluno que termina o 12º ano com 19 valores, vai ser melhor médico do que aquele que termina com 15 ou 16 valores?
E mais, porquê que os médicos no final da sua formação não são colocados onde há vagas (ex. Trás-os-Montes, Alentejo, ou em Paredes, etc), à semelhança do que acontece com os professores? E porquê que estes profissionais não são obrigados a optar entre o serviço público e o privado? Então não é incompatível ser-se médico no sector público e no sector privado ao mesmo tempo? Claro que deveria ser, até porque um qualquer trolha, engenheiro ou arquitecto, também não o pode ser ao mesmo tempo no público e no privado.
Mas recrutar um médico ao sector privado, para prestar serviço de urgência num qualquer hospital do interior, pago a “peso de ouro” (2.000EUR/por 24h de serviço?!!) já não é problema.
Cá para mim, além de estar aqui latente o estado corporativo que ainda somos, temos também aqui, protagonizado por vários governos, mas por este governo socialista em especial, uma visão economicista, pura e dura, da saúde.

Bem hajam e até breve,

O Presidente da CPN Paredes Cidade do PSD

José Henriques Soares
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Sexta-feira, 03 de Outubro de 2008
In Olhar (Im)parcial / O Verdadeiro Olhar

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